sexta-feira, dezembro 02, 2005

"...preparado naquela noite para tudo, me deitei de barriga pra cima à espera da dor final no primeiro instante de meus noventa e um anos. Ouvi sinos distantes, senti a fragrância da alma de Delgadina dormindo de lado, ouvi um grito no horizonte, soluços de alguém que talvez tivesse morrido um século antes naquela mesma alcova. Então apaguei a luz com o último suspiro, entrelacei meus dedos com os dela para levá-la pela mão e contei as dose badaladas da meia-noite com minhas doze lágrimas finais..."

Memória de minhas putas tristes
Gabriel García Márquez

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